Comercial mais profundo que o pré-sal.
Falar sobre um comercial já passado, mas muito passado mesmo, é quase como chutar cachorro morto. Mas, como ele inicia com um cachorro vivo e simpático...
Com uma veiculação digna de campanha de varejo na sexta-feira, o comercial da Petrobrás “Olhares” tem uma força exemplar. Exemplo de como perpetrar uma má-criação. E olha que ele tem todos os ingredientes que o receituário publicitário manda: cachorrinho com olhar de pidão, mulher jovem, rapaz jovem e carro esportivo. Mais clichês só no filme Casablanca. Porém, tudo desaba no conceito que se pretendeu passar: a gasolina da estatal brasileira é o sonho de consumo de todo carro. Para comunicar isso, a brilhante equipe criadora – amparada pela equipe que o produziu – imaginou coisas que o grande Criador dúvida. Por exemplo, o sonho de consumo do cão é a moça. Cão consumindo moça? Perversidade. O sonho de consumo da moça é o moço. Realidade. Mas, o moço não parece ser tão fã assim de moças. O negócio dele é olhar aquele carrão (muito brega por sinal). E o carro???? Pois é. O carro é uma mercadoria, um objeto, ou um fetiche (como diriam nossos marxistas de plantão) que simplesmente torna-se um ser vivo com desejos, sonhos e necessidades.
A Petrobrás aprovou um comercial que pretendia vender gasolina. Vendeu um enigma animista. Mostrou para onde vai nosso rico dinheirinho que, aliás, segundo a notícia corrente, perfaz um quarto de bilhão de reais. Isso mesmo. A verba de propaganda para o ano da estatal.
Então, já sabemos. Se o seu carro, ao passar perto de um posto Petrobrás, começar a “puxar” em sua direção, não se engane. Ele não está tentando dizer nada. Só que você precisa calibrar o pneu. Gasolina você deixa para por em outro posto menos complicado.



